A combinação entre álcool e direção representa um dos principais fatores de risco para acidentes de trânsito. Mesmo pequenas quantidades de bebida alcoólica podem afetar o funcionamento do cérebro, reduzindo reflexos, prejudicando a coordenação motora e comprometendo a capacidade de tomada de decisões.
Por esse motivo, especialistas alertam que álcool e direção não combinam, já que o consumo da substância interfere diretamente no sistema nervoso central e pode aumentar o risco de acidentes nas ruas e rodovias.
Confira alguns sintomas do álcool no corpo e quais as consequências de dirigir embriagado.
O consumo de bebida alcoólica altera o funcionamento do sistema nervoso central, responsável por controlar movimentos, reflexos e raciocínio.
Segundo o professor do Internato de Neuroemergência da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG):
“O álcool tem vários efeitos no sistema nervoso central. Ele afeta, por exemplo, a coordenação motora, o que atrapalha o indivíduo na necessidade de tomar uma decisão na mudança de direção, eventualmente na troca de marcha ou ao fazer uma curva.”
Essas alterações tornam a condução do veículo mais perigosa, já que o motorista perde parte da capacidade de controlar os movimentos com precisão.
Confira a entrevista completa aqui.

Outro efeito importante da combinação entre álcool e direção é a alteração da capacidade de julgamento.
Situações comuns no trânsito exigem decisões rápidas, como:
Segundo o professor da FCM-MG:
“O álcool também acessa outras áreas que estão relacionadas à tomada de decisão. Então, quando o indivíduo está definindo se vai frear ou passar pelo sinal amarelo, tudo isso pode estar prejudicado.”
Isso acontece porque o álcool interfere em áreas do cérebro responsáveis pelo planejamento e pela avaliação de riscos.
Outro risco importante da combinação entre álcool e direção é o aumento do tempo de reação.
Isso significa que o motorista demora mais tempo para responder a situações inesperadas no trânsito.
De acordo com o professor:
“Pode acontecer um aumento do tempo de reação. Se aparecer alguma situação inesperada que não está sendo prevista, o indivíduo vai demorar mais para responder.”
Esse atraso pode parecer pequeno, mas poucos segundos podem ser suficientes para causar acidentes graves.
Além da coordenação motora e do tempo de reação, a mistura entre álcool e direção também pode causar:
Esses fatores aumentam significativamente o risco de colisões e atropelamentos.
No Brasil, dirigir sob efeito de álcool é considerado uma infração gravíssima prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A chamada Lei Seca (Lei nº 11.705/2008) é referência mundial por estabelecer tolerância praticamente zero para a presença de álcool no organismo do motorista.
A lei, que em 2023 celebra 15 anos, foi responsável por significativas alterações nos costumes dos brasileiros no que tange à combinação de álcool e direção.
A legislação anterior autorizava a ingestão de até 6 decigramas de álcool por litro de sangue (o que equivalia a dois copos de cerveja). Quando a Lei Seca entrou em vigor, ela tolerava 0,1 mg de álcool por litro de sangue; hoje, o limite máximo permitido é de 0,05 mg/l.
As penalidades para aqueles que dirigem embriagados incluem:
O Dr. Sérgio Cançado é médico neurocirurgião, especialista no tratamento cirúrgico de epilepsias, tumores (glioma, glioblastoma), doenças do nervo trigêmeo e malformações do sistema nervoso.
Além disso, ele é professor do Internato de Neuroemergências da FCM-MG.
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Porque o álcool interfere no sistema nervoso central, prejudicando reflexos, coordenação motora e capacidade de julgamento do motorista.
Sim. O motorista pode demorar mais para reagir a situações inesperadas no trânsito.
Sim. Pequenas doses já podem reduzir a atenção e alterar a percepção de risco.
Sim. A legislação brasileira prevê penalidades severas para quem dirige sob efeito de álcool.
Os principais riscos são perda de reflexos, decisões equivocadas e aumento da probabilidade de acidentes.