Qual o risco do infarto pós-menopausa para mulheres? Você já pensou sobre o tema?
Segundo o levantamento “Evolução da mortalidade cardiovascular em mulheres“, divulgado pelo Observatório da Saúde Cardiovascular do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), do Ministério da Saúde, o ano de 2023 registrou um total de 37.332 óbitos femininos no Brasil por infarto agudo do miocárdio (IAM).
Além disso, a pesquisa, baseada no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), revelou que a hipertensão causou a morte de outras 18.571 mulheres. A hipertensão arterial é a quarta principal causa de morte entre as pessoas do sexo feminino, vitimando mais mulheres do que homens.
Tendo em vista o tema, a professora e coordenadora da disciplina de saúde da mulher da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Arlene Fernandes, concede entrevista sobre o infarto pós-menopausa.
Se você tem interesse em entender mais sobre o assunto, confira o texto abaixo.

A especialista da FCM-MG destaca, em entrevista, que o climatério é um período de transição da fase reprodutiva para a pós-menopausa, e está associado a um risco cardiovascular aumentado. Isso ocorre devido à redução da produção hormonal ovariana, que marca o fim da função reprodutiva da mulher.
“É importante notar que os hormônios femininos, especialmente o estrogênio, têm influência em vários sistemas do organismo, não se limitando ao sistema reprodutivo”, pontua Arlene Fernandes.
Conforme explicado por Arlene Fernandes, o estrogênio é fundamental para a saúde cardiovascular da mulher. Esse hormônio oferece proteção contra doenças coronarianas, pois estimula a criação de novos vasos sanguíneos, eleva o colesterol HDL e, simultaneamente, diminui os níveis de triglicérides e de colesterol LDL.
“A queda nos níveis de estrogênio pode levar a um perfil lipídico mais aterogênico, com aumento dos níveis de colesterol total e LDL (colesterol ruim) e diminuição dos níveis de HDL (colesterol bom)”.
Arlene Fernandes ainda esclarece que:
“Apesar das manifestações clínicas da doença arterial coronariana nas mulheres aparecerem cerca de 10 a 15 anos mais tarde que nos homens, estudos indicam que a mortalidade por doença cardiovascular é maior entre as mulheres. Portanto, uma abordagem preventiva durante o climatério é fundamental. Isso inclui a identificação de fatores de risco, a introdução de terapia hormonal em casos selecionados e a atuação de uma equipe multidisciplinar na abordagem cardiovascular para promover um envelhecimento saudável e para reduzir os riscos. A conscientização sobre essas questões é essencial para preservar a saúde e bem-estar das mulheres durante essa fase da vida”, destaca.
É crucial que as mulheres compreendam essas alterações e adotem um estilo de vida saudável, o qual deve incluir uma alimentação balanceada e a prática consistente de exercícios físicos. Tais medidas são fundamentais para auxiliar na diminuição dos riscos associados ao infarto pós-menopausa, especialmente no que tange à saúde cardiovascular.
Por isso, a realização de consultas médicas periódicas é indispensável para o devido acompanhamento da saúde do coração.
Confira a matéria completa aqui.
A Dra. Arlene Fernandes é ginecologista e obstetra com sólida formação acadêmica e prática. Ela é professora de Saúde da Mulher na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e integra o comitê da SOGIMIG, focando em saúde hormonal e ginecologia endócrina.
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Após a menopausa, a queda do estrogênio aumenta o risco cardiovascular, tornando as mulheres mais vulneráveis a infartos e doenças coronarianas.
O estrogênio estimula a criação de vasos sanguíneos, aumenta o colesterol bom (HDL) e reduz o colesterol ruim (LDL) e os triglicerídeos.
Eles surgem cerca de 10 a 15 anos mais tarde que nos homens, mas a mortalidade feminina é mais alta, exigindo atenção preventiva.
Manter alimentação balanceada, praticar exercícios físicos regularmente, realizar consultas médicas periódicas e considerar terapia hormonal quando indicada.
A prevenção identifica fatores de risco e promove envelhecimento saudável, reduzindo complicações cardiovasculares e garantindo bem-estar na pós-menopausa.