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O professor da FCM-MG e especialista Dr. Ricardo Marinho concede entrevista sobre reprodução humana

Postado em 28 de maio de 2026

No Dia Mundial da Menopausa, o professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dr. Ricardo Mello Marinho, participou dos programas Cuide-se + para esclarecer dúvidas sobre Reprodução Humana, fertilização in vitro e os desafios da maternidade tardia. 

Referência na área, o especialista abordou avanços tecnológicos, fatores que impactam a fertilidade e os principais marcos da reprodução assistida no Brasil e no mundo.

Se você quer entender melhor os procedimentos de reprodução assistida, os fatores que impactam a fertilidade e os limites da maternidade, este post é para você.

Entrevista para o Programa Cuide-se +

Especialista em fertilização in vitro, o Dr. Ricardo explicou, no programa Cuide-se +, a diferença entre dois procedimentos de reprodução humana assistida: inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV).

“A inseminação artificial é um procedimento de baixa complexidade. O sêmen do doador ou do parceiro é preparado, com a seleção dos melhores espermatozoides, e inserido no útero da mulher durante o período fértil. São utilizadas medicações para favorecer o processo. As indicações são mais restritas e, consequentemente, os resultados costumam ser inferiores.

O primeiro nascimento por fertilização in vitro ocorreu em 1978, na Inglaterra. No Brasil, os primeiros centros especializados surgiram no final da década de 1980. Atualmente, trata-se de uma prática consolidada e difundida mundialmente.

O Dr. Ricardo atua com o procedimento desde o final dos anos 1980. Segundo ele, há alguns anos havia um estigma: médicos investigavam primeiro a mulher e avaliavam o homem somente após excluírem causas femininas.

O especialista destaca que o fator masculino deve sempre ser investigado, já que quase metade das causas de infertilidade está relacionada ao homem e a investigação, nesses casos, é mais simples.

A avaliação do casal deve ser completa, considerando principalmente:

  • fator masculino;
  • trompas alteradas;
  • ovulação;
  • idade.

Maternidade tardia e fertilidade

O professor ressalta que as pessoas têm adiado cada vez mais a gravidez, o que impacta diretamente a fertilidade. Na mulher, há um descompasso entre o tempo biológico e o papel social atual: ao longo da vida, ocorre redução progressiva da quantidade e da qualidade dos óvulos.

A fertilidade feminina começa a declinar de forma mais acentuada a partir dos 35 anos, com piora significativa após os 40, o que pode dificultar a reprodução humana. 

“Biologicamente, a mulher teria maior potencial reprodutivo logo após os 20 anos. No entanto, hoje a gravidez costuma ser planejada para idades mais avançadas, quando há menor reserva e qualidade ovariana”, explica.

Marcos importantes da reprodução humana assistida

Com os avanços tecnológicos, a reprodução humana assistida tornou-se mais segura e eficiente, com melhorias nos processos de coleta e armazenamento de óvulos e espermatozoides.

Desde a década de 1980, é possível congelar embriões. Entretanto, os óvulos não resistiam bem ao congelamento até que, há pouco mais de 10 anos, foi desenvolvido um novo método que revolucionou essa prática.

A partir dessa técnica, tornou-se possível armazenar óvulos maduros para uso futuro. Essa alternativa é amplamente utilizada por pacientes oncológicas ou por mulheres que desejam adiar a maternidade, seja por ainda não terem parceiro, por estarem focadas na carreira ou por decisão pessoal.

Apesar disso, o congelamento de óvulos não garante 100% de sucesso, pois a fertilização depende de múltiplos fatores biológicos.

Há limite de idade para gravidez?

Do ponto de vista técnico, não há um limite absoluto de idade, pois o útero pode continuar funcional mesmo após a menopausa. Contudo, a reprodução humana em idades mais avançadas aumenta os riscos à saúde materna.

Segundo o especialista, recomenda-se que a gravidez ocorra até os 50 anos, faixa considerada mais segura. Em muitos países, há restrições legais à chamada gravidez tardia.

Há possibilidade de escolher as características do bebê nas técnicas de reprodução humana?

A legislação brasileira proíbe escolher o sexo do bebê por meio de técnicas de reprodução humana assistida. No entanto, é possível realizar estudos genéticos durante o processo de fertilização para identificar a presença de doenças graves com histórico familiar.

Ainda assim, o médico responsável deve discutir a complexidade da fertilização com o paciente.

Assista a entrevista completa aqui.

profissional especialista em reprodução humana analisando exame de gravidez

Quem é o Dr. Ricardo Marinho?

Dr. Ricardo Mello Marinho é referência em Ginecologia e Reprodução Humana, sendo um dos pioneiros da fertilização in vitro em Minas Gerais, uma técnica de reprodução humana. Ele é professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais.

Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1981, possui doutorado pela Escola Paulista de Medicina e realizou aperfeiçoamento em Londres (1985–1986) com o renomado professor Robert Winston.

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FAQ: dúvidas frequentes

1. Qual a diferença entre inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV)?

A inseminação artificial é uma técnica de reprodução humana de baixa complexidade, inserindo sêmen no útero. A FIV é mais complexa, fertilizando óvulos em laboratório antes da transferência.

2. Quais são as causas mais comuns de infertilidade no casal?

As principais causas incluem fator masculino, alterações nas trompas, problemas de ovulação e a idade da mulher.

3. É possível adiar a maternidade usando tecnologia?

Sim, o congelamento de óvulos permite preservar a fertilidade feminina, oferecendo mais segurança para engravidar no futuro.

4. Existe idade limite para engravidar?

Tecnicamente não, mas acima dos 50 anos o risco aumenta. A medicina considera a gestação até os 50 anos segura.

5. Posso escolher o sexo do bebê ou características genéticas?

A legislação brasileira proíbe a escolha do sexo. É possível apenas identificar genes de doenças graves em casos familiares.

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