No Dia Mundial da Menopausa, o professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dr. Ricardo Mello Marinho, participou dos programas Cuide-se + para esclarecer dúvidas sobre Reprodução Humana, fertilização in vitro e os desafios da maternidade tardia.
Referência na área, o especialista abordou avanços tecnológicos, fatores que impactam a fertilidade e os principais marcos da reprodução assistida no Brasil e no mundo.
Se você quer entender melhor os procedimentos de reprodução assistida, os fatores que impactam a fertilidade e os limites da maternidade, este post é para você.
Especialista em fertilização in vitro, o Dr. Ricardo explicou, no programa Cuide-se +, a diferença entre dois procedimentos de reprodução humana assistida: inseminação artificial e fertilização in vitro (FIV).
“A inseminação artificial é um procedimento de baixa complexidade. O sêmen do doador ou do parceiro é preparado, com a seleção dos melhores espermatozoides, e inserido no útero da mulher durante o período fértil. São utilizadas medicações para favorecer o processo. As indicações são mais restritas e, consequentemente, os resultados costumam ser inferiores.
O primeiro nascimento por fertilização in vitro ocorreu em 1978, na Inglaterra. No Brasil, os primeiros centros especializados surgiram no final da década de 1980. Atualmente, trata-se de uma prática consolidada e difundida mundialmente.
O Dr. Ricardo atua com o procedimento desde o final dos anos 1980. Segundo ele, há alguns anos havia um estigma: médicos investigavam primeiro a mulher e avaliavam o homem somente após excluírem causas femininas.
O especialista destaca que o fator masculino deve sempre ser investigado, já que quase metade das causas de infertilidade está relacionada ao homem e a investigação, nesses casos, é mais simples.
A avaliação do casal deve ser completa, considerando principalmente:
O professor ressalta que as pessoas têm adiado cada vez mais a gravidez, o que impacta diretamente a fertilidade. Na mulher, há um descompasso entre o tempo biológico e o papel social atual: ao longo da vida, ocorre redução progressiva da quantidade e da qualidade dos óvulos.
A fertilidade feminina começa a declinar de forma mais acentuada a partir dos 35 anos, com piora significativa após os 40, o que pode dificultar a reprodução humana.
“Biologicamente, a mulher teria maior potencial reprodutivo logo após os 20 anos. No entanto, hoje a gravidez costuma ser planejada para idades mais avançadas, quando há menor reserva e qualidade ovariana”, explica.
Com os avanços tecnológicos, a reprodução humana assistida tornou-se mais segura e eficiente, com melhorias nos processos de coleta e armazenamento de óvulos e espermatozoides.
Desde a década de 1980, é possível congelar embriões. Entretanto, os óvulos não resistiam bem ao congelamento até que, há pouco mais de 10 anos, foi desenvolvido um novo método que revolucionou essa prática.
A partir dessa técnica, tornou-se possível armazenar óvulos maduros para uso futuro. Essa alternativa é amplamente utilizada por pacientes oncológicas ou por mulheres que desejam adiar a maternidade, seja por ainda não terem parceiro, por estarem focadas na carreira ou por decisão pessoal.
Apesar disso, o congelamento de óvulos não garante 100% de sucesso, pois a fertilização depende de múltiplos fatores biológicos.
Do ponto de vista técnico, não há um limite absoluto de idade, pois o útero pode continuar funcional mesmo após a menopausa. Contudo, a reprodução humana em idades mais avançadas aumenta os riscos à saúde materna.
Segundo o especialista, recomenda-se que a gravidez ocorra até os 50 anos, faixa considerada mais segura. Em muitos países, há restrições legais à chamada gravidez tardia.
A legislação brasileira proíbe escolher o sexo do bebê por meio de técnicas de reprodução humana assistida. No entanto, é possível realizar estudos genéticos durante o processo de fertilização para identificar a presença de doenças graves com histórico familiar.
Ainda assim, o médico responsável deve discutir a complexidade da fertilização com o paciente.
Assista a entrevista completa aqui.

Dr. Ricardo Mello Marinho é referência em Ginecologia e Reprodução Humana, sendo um dos pioneiros da fertilização in vitro em Minas Gerais, uma técnica de reprodução humana. Ele é professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais.
Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1981, possui doutorado pela Escola Paulista de Medicina e realizou aperfeiçoamento em Londres (1985–1986) com o renomado professor Robert Winston.
A Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais está há 75 anos sendo referência no ensino da saúde, unindo tradição e inovação com um propósito claro: impactar a sociedade com profissionais preparados para fazer a diferença.
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A inseminação artificial é uma técnica de reprodução humana de baixa complexidade, inserindo sêmen no útero. A FIV é mais complexa, fertilizando óvulos em laboratório antes da transferência.
As principais causas incluem fator masculino, alterações nas trompas, problemas de ovulação e a idade da mulher.
Sim, o congelamento de óvulos permite preservar a fertilidade feminina, oferecendo mais segurança para engravidar no futuro.
Tecnicamente não, mas acima dos 50 anos o risco aumenta. A medicina considera a gestação até os 50 anos segura.
A legislação brasileira proíbe a escolha do sexo. É possível apenas identificar genes de doenças graves em casos familiares.