O médico e professor de Mastologia do Departamento de Ginecologia da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Waldeir Almeida, alerta sobre a necessidade de rastreamento do cancro de mama no Brasil, durante a campanha do Outubro Rosa.
A campanha Outubro Rosa tem como objetivo compartilhar informações sobre a doença, ampliando o acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento. Com isso, contribui para a redução das taxas de mortalidade ao incentivar o rastreamento do cancro de mama precoce.
Nesse contexto, o Dr. Waldeir Almeida, professor da FCM-MG, concedeu entrevistas a veículos de comunicação para levar mais informações à população. Confira a matéria completa a seguir.

O especialista, Waldeir Almeida, alerta para a incidência de novos casos de cancro de mama, que ele classifica como quase uma epidemia:
“Esse aumento provavelmente ocorreu em função de mudanças dos hábitos de vida. Hoje em dia, as mulheres têm menos filhos e tendem a amamentar menos. Além disso, o uso excessivo de hormônios e o aumento da obesidade estão associados ao aumento do risco de cancro de mama. A obesidade, por exemplo, está diretamente ligada a um aumento do risco, com pessoas com um índice de massa corporal (IMC) mais elevado apresentando uma probabilidade três vezes maior de desenvolver esse tipo de câncer.”
Segundo o especialista, a diminuição da atividade física também é um fator relevante no aumento dos casos de cancro de mama. Pessoas menos ativas tendem a apresentar maior risco de desenvolver a doença. Paralelamente, o aumento da longevidade populacional, apesar de ser um avanço positivo, implica um desafio: com vidas mais longas, a probabilidade de desenvolver o cancro de mama ao longo do tempo também cresce.
Em entrevista, o Dr. Waldeir Almeida ressaltou a falta de organização do programa de rastreamento do cancro de mama:
“Enquanto em alguns países o rastreamento do cancro de mama é anual, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) propõe mamografias a cada dois anos, entre 50 e 69 anos. Isso pode ser problemático, considerando que no Brasil, o cancro de mama muitas vezes afeta mulheres mais jovens. Cerca de 51% das mulheres diagnosticadas com cancro de mama não se enquadram na faixa etária sugerida pelo SUS, o que significa que não têm acesso adequado ao rastreamento.”
O especialista explica que existem diferenças entre as recomendações do SUS e as orientações de entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e o Colégio Brasileiro de Radiologia, que recomendam a realização da mamografia anual a partir dos 40 anos, para rastreamento do cancro de mama.
Outro desafio surgiu durante a pandemia, quando houve redução significativa na realização de exames de rastreamento do cancro de mama.
“A redução de quase 50% nas mamografias de rastreamento do cancro de mama em algumas cidades durante esse período é preocupante, e as razões por trás dessa queda ainda não estão totalmente esclarecidas.”
Para Waldeir, é fundamental intensificar os esforços para conscientizar a população sobre a importância do rastreamento e da detecção precoce do cancro de mama. Além disso, é crucial implementar medidas que assegurem o acesso amplo e eficaz à mamografia em todo o país.
Confira a matéria no Jornal Estado de Minas.
Confira a matéria no portal BH Eventos.
Dr. Waldeir José de Almeida Júnior é médico mastologista e ginecologista, coordenador do Serviço de Mastologia da Rede Mater Dei de Saúde e do Instituto de Oncologia Ciências Médicas (IONCM). Ele também atua como professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.
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Segundo o especialista, Dr.Waldeir Almeida, mudanças nos hábitos de vida podem influenciar esse aumento. Entre os fatores estão menor número de filhos, redução da amamentação, obesidade, sedentarismo e uso excessivo de hormônios.
Sim. Pessoas com índice de massa corporal (IMC) mais elevado podem ter até três vezes mais risco de desenvolver a doença, segundo estudos citados pelo especialista.
Sim. A falta de atividade física está associada a um maior risco. Manter uma rotina de exercícios pode ajudar na prevenção e na promoção da saúde geral.
O Sistema Único de Saúde recomenda a mamografia a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, como estratégia de rastreamento populacional.
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e cura, além de reduzir a mortalidade associada à doença.